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Volume de crédito em relação ao PIB ainda é baixo, segundo diretor do BC

Stênio Ribeiro
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A carteira de crédito bancário no país dobrou nos últimos dez anos em relação ao Produto Interno Bruto (PIB – soma das riquezas e serviços produzidos no país), “mas ainda é um nível baixo, e tem espaço para continuar em expansão”, de acordo com o diretor de Fiscalização do Banco Central (BC) , Anthero Meirelles.

Números do Departamento Econômico do BC mostram que o total de créditos até agosto cresceu 8,9% e soma R$ 2,211 trilhões, equivalentes a 51% do PIB, estimado em R$ 4,333 trilhões.

Ao anunciar hoje (2) o Relatório de Estabilidade Financeira, referente ao primeiro semestre do ano, Meirelles disse que o crédito continuou em expansão, mas em um ritmo menos forte do que nos três últimos anos. Ele acredita, porém, que a carteira de crédito aumente mais, a partir de agora, com a retomada gradativa da atividade econômica, associada a uma renda que não parou de crescer.

Neste ano, os bancos privados se retraíram na concessão de empréstimos por causa, principalmente, do aumento da inadimplência e a expansão do crédito ficou mais a cargo dos bancos públicos, que respondem por 45,7% do estoque, enquanto os bancos privados nacionais têm 37,5% e os bancos estrangeiros, 16,8%.

O quadro de crédito, somado às incertezas do cenário internacional, fez com que o lucro líquido dos bancos caísse 3,6% nos 12 meses encerrados em junho, comparado a igual período até dezembro de 2011. O lucro líquido contabilizado no fechamento do ano passado somava R$ 59,4 bilhões e ficou em R$ 55,8 bilhões no encerramento do primeiro semestre, segundo Meirelles. A diferença foi causada principalmente pelo aumento de provisões (reserva de capital) para cobrir a inadimplência.

O diretor do BC disse que as despesas com provisões bancárias aumentaram R$ 11,4 bilhões no primeiro semestre, dos quais R$ 9,8 bilhões em instituições privadas, que trabalham com maiores riscos de inadimplência. Ele ressaltou, contudo, que a inadimplência está em queda, assim como as taxas de juros bancários. “Com juros baixos, mais pessoas se dispõem a pegar crédito e o sistema financeiro vai se adaptar”, disse.

Edição: Fábio Massalli

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