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Elevar os juros é uma necessidade, diante da inflação

Diante da atmosfera de incertezas que ainda domina os mercados no mundo desenvolvido, o governo brasileiro agiu no sentido de blindar a economia nacional das turbulências externas por meio de políticas de incentivo ao consumo das famílias. Porém, não houve proporcional estímulo ao investimento privado, o que trouxe a inflação como consequência. Aumentar a demanda sem contrapartida na ponta da oferta sempre irá gerar pressão sobre os preços.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) superou novamente o limite da meta oficial do governo no início do mês de julho/2013, com índice de 6,7%. Esse percentual é fruto da redução de juros que foi praticada, com a intenção de estimular a demanda interna e impulsionar a produção. Foram cinco meses com o juro no menor patamar histórico, porém a economia do país não decolou.

O governo reduziu os juros com a intenção de injetar mais recursos na economia por meio do crédito, e isso naturalmente trouxe um ensejo ao consumo pelas famílias, pois as linhas de financiamento tornaram-se mais atrativas, entre outras medidas, como a redução do IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados) para veículos e produtos da linha branca. Mas como o investimento privado não foi estimulado com a mesma intensidade, o resultado foi uma equação que pressionou os preços.

Quando cresce o número de pessoas aptas a consumir, ancoradas por políticas de facilitação do crédito e outras medidas de estímulo, ocorre uma injeção de liquidez adicional no mercado, o que resulta na elevação dos preços.

Sempre que uma economia for estimulada demais, o consumo poderá aumentar além da capacidade de produção do país, resultando na falta de produtos, pois, sem investimentos, o mercado não estará preparado e abastecido de mercadorias suficientes para o aumento repentino da demanda. Considerando que produto escasso é produto mais caro, é nesse momento que os produtores se aproveitam do aumento da procura para elevar os preços, visando ao lucro, dentro da lógica acumulativa do capital.

Além da inflação, ainda existe outros problemas resultantes da redução dos juros, como o endividamento das famílias, a elevação dos índices de inadimplência, a degradação dos recursos naturais e o aumento das importações.

A principal causa da inflação é o desencontro entre oferta e demanda. Então, quanto mais se reduz o juro, mais se deve ter atenção para a pressão inflacionária gerada pelo aumento da demanda por parte do mercado consumidor. Juros menores sempre aumentarão a expectativa de inflação na economia.

A projeção atual do Banco Central é de que o IPCA fique em torno de 6% no presente ano, o que representa um índice bem acima do que foi definido como centro da meta, quase extrapolando o limite da variação de tolerância fixada pelo próprio Conselho Monetário Nacional.
Não fossem as manifestações por todo o país, que anularam os reajustes de pedágios e de passagens de transporte urbano, a pressão inflacionária estaria ainda maior. Os protestos foram aliados no combate à inflação, pois os reajustes representariam impacto no IPCA, sendo que os cancelamentos ajudaram a segurar o percentual, sem contar que os protestos obrigaram os comerciantes a fechar seus estabelecimentos, o que resultou na redução das vendas e, por consequência, numa menor pressão sobre os preços.

Hoje com baixo crescimento, inflação alta e contas desalinhadas, o controle dos preços deve receber prioridade máxima da equipe econômica do governo, e o aumento dos juros passa a ser uma necessidade, porém na dose certa, para não desestimular os investimentos produtivos.
Com a inflação elevada, é imprescindível que o governo desenvolva medidas no sentido de puxar o freio econômico para segurar a inflação, com aperto fiscal, limitação de empréstimos para forçar a poupança, aumento da taxa dos depósitos compulsórios e, principalmente, a elevação do juro, que é o instrumento mais poderoso para o controle dos preços. Dessa forma, deve-se buscar a organização da economia dentro de patamares que garantam a competitividade do país.

Fonte: Administradores

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